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quarta-feira, 11 de março de 2015

A garota que sonhava demais

CAP I    
    


     Kate acordou e percebeu que estava sozinha. Não gostava disso. Ela sempre pensava: "Porque o ser humano fica sozinho? Há bilhões de pessoas no mundo, e algumas são obrigadas a levantar de manhã sem ninguém para dar um Bom-dia, ou simplesmente para socializar" Ela foi à cozinha, quando se lembrou de que quando acordava já havia um café quentinho na mesa, pãezinhos com mel e leite. Ela resolveu afastar esses pensamentos da sua mente. Já não bastava estar sozinha, pensar que sua família estava tão longe dela doía.
Desde que ela começou a fazer arquitetura, na UFMG, apesar da imensa felicidade, a saudade também tinha o seu espaço. Na sua casa antiga era sempre todos unidos, Kate, o seu pai, Juliano, a mãe Jasmim, e suas irmãs gêmeas que tinham apenas 6 anos: Maria Clara e Maria Eduarda.
Ela adorava brincar com as pequenas (como Kate chamava as gêmeas), elas, apesar de que tomaram conta da casa quando nasceram, sempre foram legais com Kate, e vice versa. Juliano era um homem bem-sucedido, era arquiteto, e era o principal motivo de Kate querer ser uma arquiteta também. Jasmim, era uma mulher extremamente bondosa. Adorava visitar crianças em creches, hospitais, e de fazer visitas mensais em um asilo. 
No seu pequeno apartamento, Kate organizou tudo do jeito que sempre sonhou quando tivesse a casa própria. Ela era muito organizada, tudo tinha o seu lugar, inclusive existia um cantinho da casa  especialmente para o Tommy, seu gatinho da raça Persa. Ele aliviava um pouquinho a saudade de casa.
Ela pegou-se deitada no sofá vendo o jornal da manhã e levou um susto! Tommy começou a fazer alguns barulhos bem altos, como se alguém estivesse invadindo o apartamento. Ela cuidadosamente seguiu o olhar dele e se deparou com Tintin, seu sapinho de pelúcia que ela devia, acidentalmente ter deixado em cima do armário. Riu e se lembrou do estranho medo de Tommy por Tintin. Pegou-o e disse:
- Acalme-se Tommy!! É só um sapinho de pelúcia! Olhe- Então ela pegou Tintin e foi se aproximando do gato, que miou bem alto e caiu da cadeira- Ah! Tommy!- Ela riu - Bem, eu acho que você não entende isso, né? Vou guardar Tintin no meu armário e você não vai mais se assustar.
Resolveu voltar à televisão aonde passava agora o programa da Ana Maria Braga, depois, tomou seu café, se arrumou e foi para a faculdade. Ainda se impressionava com o tamanho daquele lugar. E adorava pensar a quantidade de pessoas que saíram desse lugar e viraram médicos, arquitetos, engenheiros, pedagogos, ou seja, era uma quantidade IMENSA de aprendizado e conhecimento que passava por lá todos os dias da semana.
Apesar de que ela estava a pouco tempo lá, começou a conversar muito com uma menina, seu nome era Clara.